Atrizes & Danço Para Minha Mãe
10/09/2026 - 19:00 - 20:00

Quando: 10 e 11/09 – 19h / 12/09 – 17h
Nos dias 10, 11 e 12 de setembro, o CENÁCULO – NÚCLEO DE ESTUDOS TEATRAIS ocupa o Teatro Gamboa com o projeto Finitudes, rica oportunidade para pensar e refletir sobre a fronteira entre vida e arte, realidade e ficção.
No dia 10, quinta-feira, às 19h, com entrada gratuita, as atrizes Cristina Leifer e Christiane Spínola Veiga convidam o escritor e psicanalista Wilker França e o dramaturgo e ator Daniel Arcades para uma fecunda CONVERSA SOBRE A DRAMATURGIA DO EU em diálogo com as peças de autoficção ENSAIOS SOBRE O FIM – A PEÇA, inspirada no luto do pai de Cristina; ATRIZES & DANÇO PARA MINHA MÃE, inspirada no luto da mãe de Cristina e no diagnóstico de câncer de Christiane; e PRA ONDE VOCÊ VAI DEPOIS DAQUI?, dramaturgia ainda em construção, inspirada na vida das atrizes Cristina Leifer, Dionne Barreto e Christiane Veiga.
No dia 11, sexta-feira, das 16h às 18h, a dupla Cristina e Christiane, realizam o workshop A FORÇA DA ARTE NA TRAVESSIA DO LUTO E DO CÂNCER. A partir das suas experiências de vida – Veiga está passando por um tratamento oncológico e Leifer passou pelos lutos da sua mãe e do seu pai – as atrizes desejam compartilhar as suas pesquisas na área da saúde mental e a sua interseção com a arte. Quais caminhos possíveis no âmbito da arte para o enfretamento do câncer e do luto? Além de atrizes, Cristina Leifer é psicóloga e doutora em Artes Cênicas com especialização em Psicanálise e Christiane Veiga é terapeuta transpessoal e holística. Excelente oportunidade para um encontro íntimo com as atrizes antes de assistir ao espetáculo! E às 19h, logo depois do workshop, as incansáveis Cristina e Christiane apresentam a peça ATRIZES & DANÇO PARA MINHA MÃE. Dobradinha imperdível! O workshop é gratuito para quem for assistir ao espetáculo!
No dia 12, sábado, às 17h, as atrizes apresentam mais uma vez a peça ATRIZES & DANÇO PARA MINHA MÃE.
As apresentações contarão com uma convidada especial, a atriz Dionne Barreto. Ela será uma surpresa nesta obra teatral que vêm sendo escrita e produzida desde 2022.
Na peça as atrizes quebram a quarta parede – a linha invisível que separa o palco da plateia – e convidam o público para uma interlocução espontânea sobre o absurdo da existência humana e sua tênue fronteira com a arte. “Se nossas obras artísticas são espelhos da humanidade, queremos saber o que estamos refletindo”, provoca Cristina Leifer, autora do projeto.
Para ela a inspiração desse trabalho nasceu do luto vivido após a perda da mãe no início da pandemia. Durante o confinamento, Cristina conviveu com a memória da sua mãe em estado vegetativo e do seu convívio com ela em uma clínica de cuidados paliativos. Assim, em 2022, começou a escrever “Danço para minha mãe”. Nessa peça Cristina conversa de forma descontraída com o público e traduz em poesia a experiência vivida com a sua mãe!
Em 2023, Cristina se encontra “por acaso” com Christiane, que conta do seu diagnóstico de câncer em plena pandemia. Desse reencontro, nasce o desejo de escrever mais um texto para teatro – “Atrizes” – a partir das duas experiências vividas durante a quarentena e o que daquele tempo reverbera até hoje. “Desde então, estamos vivendo o processo de escrita de duas dramaturgias que envolvem a elaboração de nossos afetos e seus efeitos. Diante de todo o caos, as nossas dores não se encontraram. Nós nos encontramos além da dor. Nos encontramos no fluir da correnteza de um rio quando já estávamos no processo de ressignificação da dor. Já podíamos rir dela e fazer teatro a partir dela”, reflete Cris Leifer.
Em “Atrizes”, inspirada na peça “Esperando Godot” de Beckett, as duas atrizes se questionam sobre a frágil distinção entre ficção e realidade e o absurdo nonsense das catástrofes pessoais e coletivas. Seguir fazendo arte com humor, apesar de tudo, foi um dos fatores que uniu ainda mais as duas artistas. Quando Christiane recebeu outro diagnóstico de câncer em 2023, estabeleceu um novo diálogo sobre o momento desafiador e se fez a seguinte pergunta: como continuar com a vida? “Para Aristóteles “Arte” é “teckné” em grego, “fazer”, “elaborar”, “produzir”. Assim, como duas artesãs, buscamos elaborar e produzir com a dor e o humor. Rir de nossas próprias catástrofes é um caminho possível. E o teatro é o nosso guia que nos apoia nessa busca”, define Cristina Leifer.
As atrizes conseguiram, com muita criatividade e determinação, fazer um jogo cênico com as dramaturgias escritas e as transformaram em um espetáculo. “A vida e a arte são amálgamas. E quando começamos a criar inevitavelmente elaboramos o que nos inquieta, o que nos afeta. O palco para mim é o reflexo da humanidade. Nossas obras são espelhos da humanidade em toda a sua dimensão, tanto para o bem quanto para o mal. E a partir desse reflexo o público, cada um por si, encontra aquilo que lhe afeta nesse espelho”, adianta Leifer.
Esta proposta cênica é fruto de um processo de criação que exige muita coragem e ousadia e é apresentada como uma obra aberta, como a vida. O texto não tem ponto final. Brota de uma construção conjunta com o público. “Abrir esse espaço de interlocução com o espectador no meio de uma cena, por exemplo, é um ato de amor e muita vulnerabilidade. Estamos abertas para esse encontro”, convida Leifer.
SINOPSE
Duas atrizes no palco de um teatro tentam montar uma peça sobre suas experiências na pandemia e acabam encontrando, no caminho dos seus afetos, muito humor, reflexão e a compreensão do absurdo de suas existências.
MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O CENÁCULO
cenaculoteatro.wixsite.com/bahia



